Monday, September 15, 2008
Quem é Jesus, afinal?
Saturday, September 06, 2008
Lobby
No livro de Mateus, a mãe de João e Tiago, dois discípulos de Jesus, oportunando-se de estar próxima daquele que diziam ser o Messias esperado pelos judeus, pediu para que seus dois filhos tivessem lugar de honra no reinado que estava por vir (ela não imaginava que era um reinado espiritual). Seu pedido foi que um filho sentasse à esquerda e o outro à direita do trono. Vemos em plena Bíblia um lobbiyng de primeiríssima qualidade.
Fico imaginando se Jesus tivesse aceito tal proposta. Pobre mãe! Mal sabia ela que, caso seu desejo fosse atendido, poderia iniciar uma guerra sangrenta entre seus filhos pelo LADO DIREITO do trono. Havia nela ignorância total sobre o coração humano. Sabiamente, Jesus disse para a lobbysta que ela não sabia o que pedia: "Não sabeis o que pedis!" E não sabia mesmo. Não tinha noção do tamanho do livramento de sofrimento e solidão que Jesus estava lhe dando. A primeira a ser beneficiada com aquela recusa foi ela mesma, pois ficaria só e desfilhada.
Existem orações que um dia vamos agradecer por nunca terem sido atendidas. Mas graças a Deus que temos um lobbysta do qual O Senhor se agrada muito: o Espírito Santo, que intercede por nós com “gemidos inexprimíveis”.
Na verdade, não sei bem o que são esses gemidos inexpremíveis, mas entendo que é uma oração bem feita, uma intercessão que realmente convence o coração de Deus a nosso favor. Quando você for até Deus pedir alguma coisa, expor o seu desejo, não esqueça de dizer que Ele faça a vontade Dele, pois muitas vezes, igual áquela mãe, não sabemos o que pedimos, e a consequência de nossa oração impulsiva e emocional pode ser um preço alto a se pagar.
Pense nisso!
Friday, August 22, 2008
Mentiras Novas
É um saco acordar de manhã com esse festival de gingle político invadindo o sagrado sono. É gingle de todo jeito: forró, pagode, rap, e por aí vai. Mais saco ainda é que a mídia não inventa nenhuma mentira nova, a gente tem que aguentar as velhas e carcomidas lorotas.
Seria bom, pelo menos, acordar com novidades, com mentiras novinhas em folha. Mas não! São as mesmas mentiras cansativas, repetitivas, tediosas. Um desrespeito ao eleitor. Não dá pra inventar uma mentira de qualidade, que iluda poeticamente e nos dê a sensação que existe realmente alguém preocupado com o povo? EU QUERO MENTIRAS NOVAS! Eis a minha reivindicação. Fico indignada. Você acredita que existe um candidato cujo slogan é "quem sabe faz a hora"? Grande novidade, não?
Já não se fazem mentirosos como antigamente. Os mentirosos de antigamente tinham aquele ar de "salvador da pátria", de protetor, passavam uma imagem paterna; a gente só faltava subir no palanque e sentar no colinho deles. Aqueles, sim, sabiam produzir belas e boas mentiras. Só não souberam passar essa arte para a geração que está aí todo dia, adentrando o nosso doce lar com mentiras tão pobrezinhas. Ô geração sem criatividade!
Monday, September 10, 2007
Gotas de Sofia
causa de eu "comer cru" muitas vezes) e minha fé não é das melhores. Me surpreende perceber que Ele não desiste de mim e que todas as vezes que eu converso com Ele, a Paz que Ele promete na Bíblia desce imediatamente. É verdade, num é conversa mole, não! Experimente ficar um tempo na presença Dele. Mesmo que o problema demore a ser resolvido, Deus, nosso Pai e Amigo nos dá uma tranquilidade incondicional. Ninguém fica dependendo de ter paz só se o problema for resolvido. A famosa "paz do Senhor" invade o mais turbulento dos corações; a mais atormentada das mentes; e para isso é preciso só ter um tiquinho de fé, num precisa ser coisa muito grande, não. Basta essa fé ser do tamanho de uma semente de mostarda. Você já viu uma semente de mostarda? É do tamanho da cabeça de um alfinete. Jesus diz que se a nossa fé for do tamanho dessa semente, seremos capaz de transportar montanhas. Quando leio essa passagem, imagino Deus com um microscópio tentando enxergar a minha fé e gritando: "Achei!!!! Aqui está a fé da Rosane!" (rrss). Deus quer só um motivozinho pra ajudar, pra curar, pra derramar paz. Aposte nessa relação! Ele não requer coisas impossíveis e cá pra nós, se fosse necessário explicar a questão da fé, não seria fé, seria ciência; e você já pensou nos milhares de anos que isso demoraria? Não conseguimos nem acabar com uma simples gripe através da ciência, imagine encontrar e provar a existência de Deus.
A fé é o meio mais rápido e eficaz para se ter um contato verdadeiro com Deus.
Basta apenas virar criança outra vez.
Thursday, August 16, 2007
Gota de Sofia com Lêdo Ivo - Cama e Mesa
Tuesday, August 07, 2007
Gotas de Sofia com C.S.Lewis - Só Um Pedaço de Papel Colorido?
De certa forma eu até concordei com aquele homem. Penso que ele deve ter tido alguma experiência real com Deus no deserto. E quando ele voltou dessa experiência para os credos cristãos, acredito que ele voltou de algo real para algo menos real. Assim, também, se uma pessoa olha da praia para o oceano Atlântico e, depois olha o Atlântico no mapa, ele também estará voltando de algo real para alguma coisa menos real: das ondas do mar para um pedaço de papel colorido. Mas é aí que está o ponto. O mapa é reconhecidamente um pedaço de papel colorido, mas há duas coisas que você deve lembrar. Primeiro, ele é baseado no que milhares de pessoas descobriram navegando o Atlântico de verdade. Dessa forma, um indíviduo tem atrás de si milhares de experiências tão reais quanto a que você poderia ter tido na praia; com a diferença de que, enquanto a sua seria um vislumbre único, o mapa dá conta de todas as variadas experiências juntas. Segundo, se você quer chegar a algum lugar, o mapa é absolutamente necessário. Para quem está interessado em apenas fazer algumas caminhadas na praia, a visão de tudo é muito mais agradável do que olhar para um mapa. Acontece que o mapa terá mais utilidade do que as caminhadas pela praia se você deseja chegar a outro continente.
A teologia é como um mapa - nada mais do que aprender e pensar sobre as doutrinas cristãs. Ficar nisso é menos real e menos emocionante do que o que aconteceu com o meu amigo no deserto. As doutrinas não são Deus; elas não passam de uma espécie de mapa. Acontece que esse mapa é baseado na experiência de centenas de pessoas que realmente estiveram em contato com Deus; experiências comparadas com quaisquer emoções ou sentimemtos piedosos que você e eu poderíamos experimentar, considerados elementares e até confusos. Se você quiser chegar mais longe, terá de usar o mapa. Veja bem, o que aconteceu com meu amigo no deserto pode ter sido verdadeiro, e certamente foi empolgante, mas isso não resulta em nada. Não há nada que se possa fazer a respeito. Na verdade, eis aí a razão por que uma religião vaga, algo como sentir Deus na natureza e assim por diante, é tão atraente. É só emoção, sem qualquer trabalho; é como observar as ondas do mar a partir da praia. Mas você jamais chegará a outro continente estudando o oceano Atlântico dessa maneira, e jamais conhecerá Deus só sentindo a Sua presença nas flores e na música. Nem chegará a lugar nenhum apenas olhando os mapas, sem ir para o mar. Tampouco estará seguro se entrar no mar sem um mapa.
Monday, July 30, 2007
Gotas de Sofia...
Já no inverno é diferente, nos recolhemos mais em casa, sentimos mais sono,
nos vestimos com roupas quentes, etc..
Na vida espiritual acontece o mesmo. Passamos por "estações" diferentes. Existem invernos, verões, outonos e primaveras. A mais temida dessas estações é o inverno espiritual. Tempestades como desemprego, enfermidade, perda de um ente querido, pode, de uma hora para outra, assolar a vida, tornando-a insuportável.
Apesar de tudo, o inverno passa e no final vem o resultado maravilhoso: fartura de comida, água que enche açudes e rios, e muitas outras bênçãos que só chegam depois de uma boa invernada.
É incrível, mas só nascem flores, frutos e há água em abundância, se houver inverno. O mesmo acontece no reino espiritual. É assim que crescemos, que amadurecemos e conseguimos vitórias maravilhosas. Tempo de inverno é tempo de plantar. Não desista dos seus sonhos, por mais difícil que esteja, por mais frio que faça na sua alma. Aqueça-se nos braços de Jesus e não esmoreça. O Salmo 126 nos promete: "aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará com alegria, trazendo consigo os seus molhos."
Gotas de Sofia com Carlos Drummond - Prece do Brasileiro
Só me lembro de vós para pedir,
mas de qualquer modo sempre é uma lembrança.
Desculpai vosso filho, que se veste
de humildade e esperança
e vos suplica: Olhai para o Nordeste
onde há fome, Senhor, e desespero
rondando nas estradas
entre esqueletos de animais.
Em Iguatu, Parambu, Baturité,Tauá
(vogais tão fortes não chegam até vós?)
vede as espectrais
procissões de braços estendidos,
assaltos, sobressaltos, armazéns
arrombados e - o que é pior - não tinham nada.
Fazei, Senhor, chover a chuva boa,
aquela que, florindo e reflorindo, soa
qual cantada de Bach em vossa glória
e dá vida ao boi, ao bode, à erva seca,
ao pobre sertanejo destruído no que tem de mais doce e mais cruel:
a terra estorricada sempre amada.
Fazei chover, Senhor, e já! numa certeira
ordem às nuvens.
Ou desobedecema vosso mando, as revoltosas?
Tudo é pois contestação?
Fosse eu Vieira (o padre)
e vos diria, malcriado muitas e boas...mas sou vosso fã
omisso, pecador, bem brasileiro.
Comigo é na macia, no veludo/lã
e matreiro, rogo, não
ao Senhor Deus dos Exércitos (Deus me livre)
mas ao Deus que Bandeira, com carinho
botou em verso: "meu Jesus Cristinho".
E mudo até o tratamento: por que vós,
tão gravata e colarinho,
tão vossa excelência?
O você comunica muito mais
e se agora o trato de você,
ficamos perto, vamos papeando
como dois camaradas bem legais,
um puro; o outro, aquela coisa,
quase que maldito
mas amizade é isso mesmo: salta
o vale, o muro, o abismo do infinito.
Meu querido Jesus, que é que há?
Faz sentido deixar o Ceará
sofrer em ciclo a mesma eterna pena?
E você me responde suavemente:
Escute, meu cronista e meu cristão:
essa cantiga é antiga
e de tão velha não entoa não.
Você tem a Sudene abrindo frentes
de trabalho de emergência, antes fechadas.
Tem a ONU, que manda toneladas
de pacotes à espera de haver fome.
Tudo está preparado para a cena
dolorosamente repetida
no mesmo palco. O mesmo drama, toda vida.
No entanto, você sabe,
você lê os jornais, vai ao cinema, até um livro de vez em quando lê
se o Buzaid não criar problema:
Em Israel, minha primeira pátria
(a segunda é a Bahia)
desertos se transformam em jardins
em pomares, em fontes, em riquezas.
E não é por milagre:
obra do homem e da tecnologia.
Você, meu brasileiro,
não acha que já é tempo de aprender
e de atender àquela brava gente
fugindo à caridade de ocasião
e ao vício de esperar tudo da oração?
Jesus disse e sorriu. Fiquei calado.
Fiquei, confesso, muito encabulado,
mas pedir, pedir sempre ao bom amigo
é balda que carrego aqui comigo.
Disfarcei e sorri. Pois é, meu caro.
Vamos mudar de assunto. Eu ia lhe falar
noutro caso, mais sério, mais urgente.
Escute aqui, ó irmãozinho.
Meu coração, agora, tá no México
batendo pelos músculos de Gérson,
a unha de Tostão, a ronha de Pelé,
a cuca de Zagalo, a calma de Leão
e tudo mais que liga o meu país
e uma bola no campo e uma taça de ouro.
Dê um jeito, meu velho, e faça que essa taça
sem milagres ou com ele nos pertença
para sempre, assim seja...Do contrário
ficará a Nação tão malincônica,
tão roubada em seu sonho e seu ardor
que nem sei como feche minha crônica.
30 de maio de 1970.
Tuesday, July 17, 2007
Gotas de Sofia com T.S. Eliot

Monday, July 16, 2007
Gotas de Sofia - Bebível Adélia
Não é maravilhosa? Chama-se “Impressionista”. Leio e releio este poema que de tão simples, tornou-se profundo. Lembra muito as “cacimbas” (é cacimba mesmo, poço num gosto, não) do tempo em que eu era menina. Cacimba era coisa simples, comum, quase todo quintal tinha uma; mas havia mistérios nesses buracos de água que ás vezes metia medo. Criança perto de cacimba? Nem pensar! Eu aproveitava os raros momentos em que não estava sendo observada pelos adultos e adorava ficar olhando pra cacimba que tinha no quintal da minha casa e imaginando o mundo que existia lá no fundo. Imaginava que existia uma cidade no fundo do fundo da cacimba e que a água era o céu desta cidade e que quando o balde descia para pegar água, chovia na cidade imaginária. Era uma viagem.
E tomar banho de cacimba? Era maravilhoso. Ainda não tinha a Cagece e a gente bebia a água que o seu Manuel vendia. Seu Manuel era um senhor branco cheio de sardas, ele usava um chapéu de palha enorme, calção bege, botas de borracha preta que iam até o meio da canela (perna). Ele passava duas vezes na semana, numa carroça que carregava um enorme tonel de madeira pintado de verde. Era a carroça da água. O bairro inteiro saía correndo atrás da carroça. Lembro bem da torneira do tonel que eu achava linda e ficava olhando seu Manuel encher as latas de água só para poder apreciar a torneira do tonel. Essa água a gente bebia, cozinhava e lavava o cabelo, a da cacimba era só para fazer a higiene do corpo, da casa e para lavar a roupa. Seu Manuel entrava lá em casa, carregando em cada mão, latas de água que enchiam os potes e o meu coração de alegria. Até hoje não sei por que aquela carroça me alegrava tanto.
Um dia a Cagece chegou, meu pai resolveu aterrar a cacimba e o seu Manuel sumiu com sua carroça de tonel verde. Doeu ver minha cidade imaginária ser soterrada. Chorei tanto, com dó dos moradores, dos bichos. Mas a angústia passou quando vi o chuveiro e a banheira branquinha que meu pai mandou colocar no banheiro. Minha cidade imaginária foi transportada, e o melhor: eu podia fazer parte dela; era só entrar na banheira e construir meu mundo. Passei a sentir calor o tempo todo, a me sentir suja toda hora e tomar banho virou meu passatempo, esporte e hobby preferidos.
Mas voltando para a Adélia Prado, procuro ler seus poemas bem aos pouquinhos, bem devagar, todo dia umzinho. Me emprestaram esse livro e nunca vieram buscar, o que o torna mais desejado; de uma hora para a outra o dono pode aparecer e levá-lo. Quando meus olhos passeiam pelos poemas da Adélia, sinto a mesma alegria quando via a carroça do seu Manuel e o mesmo mistério de olhar para o fundo de uma cacimba nos tempos de infância.
Adélia é gostosa, é “bebível”. É uma cacimba de mistério, uma banheira de prazer, um tonel de palavras; uma poetisa em quem eu estou “constantemente” mergulhando.
Sunday, July 15, 2007
Gotas de Sofia - Protesto
Imagino o que os outros países estão pensando de nós.
O Presidente Lula é uma autoridade, queiram ou não, e deve ser respeitado. Existem momentos que ideologias políticas não podem estar á frente do comportamento humano. Na Europa, quando a população quer demonstrar que não aceita o pensamento ou o comportamento de algum político, simplesmente não o aplaude quando o mesmo se pronuncia. Além de ser elegante e educado, o silêncio pode ainda ser mais forte e falar mais alto que a vaia.
Fiquei com muita vergonha. Vaia é coisa de moleque. Nem mesmo a presença do governo paralelo carioca (o tráfico) conseguiu manchar a imagem do Rio como aquela maldita vaia. Foi desumano, não se humilha um presidente dessa maneira.
Não consigo mais ver o Cristo Redentor de braços abertos. O Cartão-Postal carioca mudou e pra bem pior.
Tuesday, July 10, 2007
Gotas de Sofia - FDS (Fim Da Sabença)

Sei que a Língua Portuguesa tem sofrido no Orkut, tem sido torturada aos poucos, como se nos houvesse feito um grande mal e quiséssemos vê-la morrer aos pouquinhos, bem devagar, numa lenta tortura. Nada satisfeitos com os “erros do nosso português ruim”, o pessoal, pra economizar palavra, tempo, sabe lá, tem transformado nosso idioma num sanduíche sem molho e feito ás pressas. Boa parte dessa culpa nós podemos colocar nas Lan Houses da vida. O lema dessas bodegas virtuais não diz “tempo é dinheiro”, mas “palavra é dinheiro”, pois são através da economia das palavras que se economizam alguns trocados. Que ironia! Quem poderia supor que um dia a Língua Portuguesa fosse sofrer tamanho descaso vindo de milhões de pequenas locadoras. O Orkut é nazista, tratando-se da nossa língua. As Lan Houses são verdadeiros campos de concentração gramatical.
Eu sei que não falo nem escrevo corretamente, tenho plena convicção que agora mesmo, neste exato momento os erros estão aqui pra quem quiser ver, mas pelo amor de Deus, o que fazem no Orkut com nossa língua é um crime; e também quero deixar claro que não tenho NADA contra as Lan Houses; pra quem não tem a menor condição de comprar um PC, essas lojas caíram como uma luva, mas tenho, sim, contra a turma que põe as palavras num pilão gramatical, socam, recalcam, em fim, ESCULHAMBAM com o nosso português; mastigam e corrompem a palavra a tal ponto que o linguajar brasileiro vai ficando cada vez mais pobre, insignificante e destituído de beleza. Que bom seria se a “turma do pilão” lesse Adélia Prado. A mulher parece uma adega de palavras; ela nos coloca nas mãos cada palavra linda que dá vontade de bebê-la e degustá-la como se degusta um bom vinho; sem falar nas que ela inventa. Que pena que o nosso país não goste de ler e mais pena ainda que a corrupção tenha atingido lugares nunca dantes navegados: As palavras.
Thursday, July 05, 2007
Gotas de Sofia com Manoel de Barros

Gotas de Sofia com Cora Coralina

Thursday, June 28, 2007
Gotas de Sofia - O Bêbado e a Equilibrista

Wednesday, June 27, 2007
Gotas de Sofia - Defeito Necessário

Outro dia soube que o elevador de um outro prédio despencou do segundo andar devido o cabo ter quebrado. O homem que se encontrava no elevador estava muito mal na U.T.I. Fiquei impressionada. Sempre reclamo dos elevadores do meu prédio que só vivem dando defeito, mas agora dou graças a Deus.
É que conversei com um técnico em elevador e ele disse que o elevador que caiu “nunca dava defeito”, por isso mesmo eles não davam manutenção, afinal não precisava.
Segundo o mecânico de elevadores, este foi exatamente o erro do síndico, como o elevador não apresentava defeito, a manutenção não era acionada. Quis economizar e acabou tendo um prejuízo maior.
Por dar muito defeito, os elevadores do prédio em que trabalho estão sempre em manutenção, daí eles nunca terem caído, pois todas as vezes que eles enguiçam, o mecânico sabe se tem algum outro defeito grave. Fiquei tranqüila e agora quando o elevador demora muito a quebrar, fico preocupada, ansiosa por um defeitinho.
Acho que assim acontece com as pessoas. Quando aparentam perfeição demais temos que desconfiar. No dia que der defeito, a coisa é feia. Do mesmo modo que não existem elevadores perfeitos, também não existem pessoas perfeitas.
Pensando bem, sou que nem o elevador do meu prédio: preciso estar sempre em manutenção, fazer introspecções dos meus defeitos e procurar vencê-los. Tenho sorte de ter acesso rápido e confiante ao fabricante. Deus me conhece e sabe onde preciso de conserto. Por isso, todas as vezes que enguiço em alguma área da minha vida, fecho os meus olhos e peço ajuda a Deus. Mesmo que demore, o conserto vem. É só esperar.
Rapidíssimas - Frases
Tuesday, June 26, 2007
Gotas de Sofia com Ledo Ivo
Sou um sobrevivente na passagem entre o dia e a noite. Onde estão as figuras de antigamente, em que estrelas, em que túmulos se esconderam? Gari implacável, a vida varre os sonhos dos homens e, na praça vazia, vagam os fantasmas dos fracassos dissimulados e dos gordos perjúrios. Sozinho na grande cidade que engole as promessas dos homens, vejo-me passar de repente no jovem poeta desconhecido que atravessa o meu caminho. Deixo de ser eu mesmo para ser, por um instante, o jovem poeta sem nome. Que ele seja fiel à sua promessa de agora, eis o que peço. Que ele seja uma dessas criaturas para as quais nada é perdido, segundo a lição de Henry James. Mas a quem dirigir esse pedido ? Os deuses inexistentes não me ouvem. À vida cega e surda? Ao mar longínquo e mudo? O jovem poeta Ledo Ivo dilui-se na sombra da tarde. E anoitece.
Saturday, June 23, 2007
Gotas de Sofia com Jacques Prévert - O Gato e o Pássaro
Uma cidade escuta desolada Thursday, June 21, 2007
Gotas de Sofia - Não Foi Nada Engraçado!
Eu cresci e me tornei boêmia como o Dim. Por causa dessa boemia em comum nos tornamos muito amigos e saíamos juntos vez por outra. Uma vez, doidos pra farrear, roubamos o carro do nosso pai; de volta da farra, vinhamos na "Zeba" (como é hoje conhecida a Av. José Bastos), tínhamos enchido a cara com "batida de banana" (arghhh) e o Dim meteu o pé no acelerador, fazendo o carro voar. Ele cantava alto e eu, como sempre, acompanhava na percursão improvisada. De repente, a direção do carro se escondeu em algum lugar, o Dim a perdeu e o carrinho, um Fiat azul, (daqueles primeiros), abraçou uma árvore "zebastiana" com todo o gás. Lembro que quando o carro estava correndo pros braços da árvore, senti o braço do Dim segurar meu peito como um cinto de segurança, pois naquele tempo ninguém usava cinto e se usasse, era um tremendo "zé mané". Como ele me protegeu com seu braço, nao sofri nenhum dano, já ele...
Veio a pancada, estilhaços de vidro e o rosto do Dim coberto de sangue. Quando vi a cara do Dim toda vermelha, toda ensanguentada, tive uma crise de riso. Ri tanto que o pessoal que correu pra ajudar achou que eu tava doida, mas eu tava era muito nervosa.
Fomos levados para o hospital e o Dim teve que amargar dias de cama sem mulher e sem bebida. Jejum sexual e alcoólico total.
A lembrança dessa batida de carro me trouxe á memória um incidente (não acidente) quase igual, só que com pessoas diferentes. Minha amiga Jô me levou pra passear de jeep pela recém-inaugurada Beira-Mar. Éramos adolescentes e fomos uma turma no jeep de um amigo, do qual não recordo o nome neste momento. Estava eu, Jô, Jaqueline, Geny e o motorista do jeep de capota aberta - um desbunde pra época - passeando na praia. A gente ía pra cima e pra baixo, rindo, gritando naquela algazarra de gente demasiadamente jovem, quando a direção quebrou. Olhei e vi o tal rapaz literalmente com a direção na mão, solta no ar. Foi um desespero coletivo, menos da Jô, é claro. Sabe o que aconteceu? A Jô teve uma das suas sádicas crises de riso; ria da minha cara vermelha de medo e da Geny, que chorava dizendo: - Oh, meu Deus... Vou morrer sem a tia saber...
A tia da Geny era a Dona Dulce, que a criava.
Não sei como aquela direção voltou ao lugar. O jeep foi controlado e graças a Deus, não houve nada, mas a Jô passou anos rindo da frase desesperada e desconexa da Geny.
Voltando ao Dim, a maneira como ele me protegeu na noite da batida sempre esteve na minha memória e no meu coração. Isso aconteceu no ano de 1981, eu tinha dezenove anos.
Eu deixei de beber, larguei as farras e por isso o Dim deu uma afastada de mim, os nossos mundos tornaram-se muito diferentes, mas eu sei que ele nunca deixou de me amar.
Hoje é quinta-feira, 21 de junho de 2007. De segunda para terça, ás 1:30 da madrugada, acordei com o grito da minha irmã, que mora ao lado. "Meti os pés" e quando saí na rua, vi o Dim deitado na calçada, em frente a casa dela, morrendo numa parada cárdio-respiratória. Tentamos reanimá-lo, enquanto vizinhos que também ouviram o grito, chamavam táxi e ambulância, mas quando chegaram era tarde demais, o Dim estava morto.
Dias atrás ele havia saído do hospital. Devido á bebida alcoólica, ganhou uma cirrose e por causa do cigarro, um efizema pulmonar. Parou de beber, mas continuou fumando, disse que o cigarro, não largaria nunca. Pobre Dim. Fez a escolha errada.
A memória tem o dom de ressuscitar palavras, ações, que julgamos ter esquecido. Enquanto tentava reanimá-lo, lembrei quando ele, há muito tempo atrás, me disse que gostaria de morrer ao ar livre, olhando para as estrelas, não num hospital. Seu pedido foi atendido.
Meu coração tá muito apertado. O Dim me protegeu colocando seu braço no meu peito na noite da batida e eu nada pude fazer com o meu braço em seu peito na noite da sua morte. O coração do Dim não quis saber, parou de bater e dessa vez não houve crise de riso, e sim, de choro, de profunda tristeza e pesar.
Dessa vez, não foi nada engraçado!

